Projeto Babitonga Ativa colabora com 9ª Primavera dos Museus e contribui para o fortalecimento da memória indígena Guarani

11-Oct-2015

 

A expressão da cultura indígena foi o destaque da 9ª Primavera dos Museus, realizada, entre terça-feira (22) e domingo (27.09), nos espaços culturais Museu Nacional do Mar, Museu Histórico Prefeito José Schmidt, Cine Teatro X de Novembro e Mercado Público Municipal, em São Francisco do Sul. Indígenas Guaranis das aldeias Morro Alto e Reta, de São Francisco do Sul, e indígena do Alto Xingú, do Mato Grosso, participaram, com o apoio do Projeto Babitonga Ativa e Reserva Volta Velha, de oficinas, palestras e debates sobre a temática cultural indígena.

 

Em todos os dias, Guaranis do Morro Alto expuseram, no hall de entrada do Museu Nacional do Mar, artesanato típico indígena, como trabalhos em palhas, cestos, esculturas de animais em madeira, entre outros objetos. A venda do artesanato se constitui como a principal fonte de recursos pelos indígenas atualmente, por isso a importância da ação, sugerida pelos próprios guaranis.

 

 

 

Na manhã de quinta-feira (24), representantes do Projeto Babitonga Ativa participaram da roda de conversa promovida pela Fundação Cultural de São Francisco do Sul, no Museu Histórico Prefeito José Schmidt, com a presença de representantes do Executivo municipal, como secretaria de Educação, Casa de Cultura, Universidade da Região de Joinville (Univille), do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville-MASJ, indígenas do Morro Alto, professores e educadores, entre outras representações. O  tema da roda de conversa foi a presença indígena em São Francisco do Sul. Na ocasião, foram discutidas questões sobre a situação social a que estão sujeitos os indígenas e a importância do fortalecimento da cultura indígena, por meio de apresentações artísticas e feira de artesanato, inclusive como meio de inserção cidadã desses povos tradicionais no contexto social local.

 

 

 

Na tarde de quinta, também por sugestão dos representantes indígenas, o coral infanto-juvenil da aldeia Morro Alto, formado por cerca de 20 crianças e jovens, se apresentou no Mercado Público de São Francisco do Sul. Com cantos tradicionais que enaltecem a natureza, os pássaros, a água e a entidade divina indígena, o coral emocionou o público e mostrou a parte da riqueza da cultura Guarani.

 

 

 

 

Após a apresentação do coral, os jovens participaram de uma oficina de artesanato proporcionada pelas artesãs indígenas da própria aldeia. Como forma de inserir os jovens Guaranis na tradição cultural de São Francisco do Sul, o Museu Nacional do Mar também ofereceu uma visita nas dependências do museu aos Guaranis.

 

 

 

 

Na sexta-feira (25) pela manhã, o Projeto Babitonga Ativa promoveu duas palestras sobre a cultura indígena. Representantes Guaranis e do Alto Xingú, compartilharam suas tradições e os desafios da inserção indígena na sociedade. Na ocasião, ficou clara a necessidade do diálogo entre o poder Executivo municipal e as comunidades indígenas. Entre os participantes estavam o cacique da aldeia Reta, Osvaldo de Oliveira; o cacique Dionísio Karai; o vice-cacique Edinho da Silva, Nírio da Silva e Fabiana Gonçalves, todos da aldeia Morro Alto.

 

Durante a reunião, o Projeto Babitonga Ativa também teve a oportunidade de apresentar a Agenda Integrada de Ecocidadania na busca de unir as aldeias indígenas da Baía Babitonga às ações previstas na agenda, bem como no fortalecimento da ecocidadania local. Foi feito convite para participação e envolvimento com as ações, que prevêem a junção entre arte, ciência, cidadania e meio ambiente para estimular a participação social nas políticas públicas e a valorização do patrimônio cultural imaterial no território.

 

 

 

“Muitos pensam que índio não pode receber um auxílio do governo, mas poucos conhecem nossa realidade. Não temos espaço para plantar, não podemos retirar a matéria prima para os artesanatos por conta da demarcação das terras, então temos que ir para a cidade procurar uma saída com o artesanato”, disse Nírio. A falta de apoio e de espaço para a exposição do trabalho indígena também acarreta outros problemas. “O Conselho Tutelar sempre nos traz problemas porque muitas vezes nossos filhos estão vendendo ou pedindo trocados na rua. O conselho precisa se envolver e conhecer a cultura Guarani para entender o que nós passamos todos os dias”, argumentou Nírio.

 

O cacique da aldeia Reta, Osvaldo de Oliveira, também concorda que é preciso mais apoio do poder Executivo em relação aos indígenas de São Francisco do Sul. “Nós plantamos pouco e o que nos mantém é a venda do artesanato. Precisamos ter um espaço para vender e expor nosso trabalho”, defendeu.

 

Encaminhamentos

 

A coordenadora do Museu Histórico Prefeito José Schmidt, Andréa de Oliveira, sugeriu a promoção de uma agenda de reuniões mensais com indígenas Guaranis de São Francisco do Sul (aldeias do Morro Alto e da Reta) para fortalecer a cultura indígena local e dar continuidade ao diálogo sobre os diversos aspectos e necessidades apontados pelos representantes indígenas. Entre as prioridades compartilhadas pelos indígenas, está a necessidade de retomar o fornecimento de cestas básicas às aldeias e restabelecer o espaço para venda de artesanatos na feira pública, no Centro Histórico.

 

Diante do apelo dos indígenas, Andréa de Oliveira se dispôs a manter um calendário mensal de reuniões para tratar das questões indígenas. “O município deveria apoiar a cultura indígena, inclusive contribuindo para o turismo local. Por isso, é importante abrir as portas do nosso museu para receber os representantes das aldeias e planejar uma agenda de promoção da cidadania junto aos povos indígenas do município”, afirmou.

 

 

 

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